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Headset vs. microfone de mesa: qual é melhor para ligações?

Descubra a diferença entre eles e porquê Headsets ganham a corrida

Eduardo BergmannAlterado em: 06/10/2025

Para equipes de vendas que dependem de telefone/VoIP, inteligibilidade, estabilidade e consistência valem mais do que “fidelidade de estúdio”. Headsets projetados para telefonia costumam entregar melhor voz clara, volume estável e menos ruído do que microfones de mesa mesmo caros. O motivo: os codecs e a rede da chamada limitam o que de fato chega ao cliente, e os headsets são otimizados justamente para esse cenário.

1) O gargalo real: codecs e banda de voz

As ligações priorizam entendimento da fala (não áudio hi-fi) e aplicam compressão para economizar banda.

  • Telefonia narrowband (clássica): transmite essencialmente ~300–3.400 Hz (amostragem 8 kHz).
  • VoIP wideband (HD Voice): amplia para aprox. 50–7.000 Hz (amostragem 16 kHz).

Implicação: frequências fora dessa janela não chegam ao ouvinte. Um microfone que capta 20 Hz–20 kHz não “passa” mais detalhes do que a rede permite. Acima de certo ponto de qualidade, o retorno marginal é nulo.

Além disso, codecs (G.711, G.722, AMR, Opus em modo voz etc.) comprimem e suavizam sutilezas, priorizando consoantes e formantes críticas. Se o sinal de entrada é instável ou ruidoso, surgem artefatos (“voz robótica”). Logo, pré-condicionar bem o áudio (o que um headset faz) vale mais do que ter um microfone super sensível.

2) Por que headsets de telefonia vencem em chamadas

2.1 Captação direcionada e próxima

O boom (haste) fica a 1–2 cm do canto da boca. Resultado: SNR alto (mais voz, menos ambiente) e volume consistente mesmo se você mover a cabeça.

2.2 Cancelamento de ruído + resposta “cirúrgica”

Microfones unidirecionais com noise-canceling atenuam teclado, ar-condicionado e conversas laterais. A resposta de frequência é focada na fala (tipicamente ~100 Hz a 10 kHz), reduzindo graves inúteis e chiados extremos — exatamente o que ajuda o codec a funcionar melhor.

2.3 DSP embarcado

Headsets USB aplicam AGC (ganho automático), equalização vocal e limiter contra plosivas/picos antes de a mídia entrar no codec. Isso estabiliza o sinal e aumenta a inteligibilidade.

2.4 Operação e ergonomia

USB plug-and-play, controles in-line (mute/volume/atender), conforto para uso prolongado e mãos livres para CRM/anotações.

3) Onde microfones de mesa tropeçam em chamadas

  • Sensibilidade demais ao ambiente: sem tratamento acústico, captam eco da sala, cliques, conversas ao fundo e ventilador.
  • Dependência de posição: afastar poucos centímetros muda timbre e nível; é preciso “disciplina de locutor”.
  • Pipeline complexo: interface de áudio, braço articulado, fones separados, ajustes de ganho/compressores; mais pontos de falha.
  • Custo x benefício limitado: a rede corta o “excesso de fidelidade”; o cliente não recebe “som de estúdio”.
  • Trabalho em time: microfones abertos espalhados vazam áudio entre posições; o headset isola cada voz.

4) Impacto prático para o time de vendas

  • Mais clareza para o cliente: menos “pode repetir?” e menos ruído → fluxo de conversa natural.
  • Aproveitamento total da banda útil: o headset entrega 100% do que a chamada suporta (narrowband ou HD).
  • Menos retrabalho: menos repetições e erros por entendimento ruim.
  • Produtividade e conforto: uso contínuo sem fadiga, mãos livres, controles rápidos.
  • Padronização e custo: um bom headset custa menos do que um setup de mesa, é mais fácil de suportar e uniformiza a qualidade entre agentes.

5) Recomendações (API4COM)

Modelos indicados (custo-benefício):

✅Logitech H390 (USB)

✅Poly/Plantronics Blackwire C3220 (USB)

Critérios mínimos ao escolher:

  • Boom direcional com cancelamento de ruído.
  • DSP (AGC + EQ + limiter).
  • Conforto (peso leve, almofadas macias, ajuste de haste).
  • Controles in-line e compatibilidade com softphones/Teams/Meet/Zoom.
  • Sidetone opcional (ajuda a autorregular o volume de fala).

6) Guia rápido de configuração (qualidade desde a primeira call)

1. Selecionar o headset USB como Entrada e Saída no sistema/softphone.

2. Ajustar ganho falando em tom normal (evite “clipping”; mire picos em ~–12 dBFS).

3. Posicionar o boom a 1–2 cm do canto da boca, ligeiramente lateral (reduz sopros “p/f”).

4. Testar 20 s e ouvir como o cliente escutará.

5. Rede: preferir Ethernet (cabeada). Em Wi-Fi, evite 2,4 GHz, mantenha-se perto do AP e pause downloads.

Indicadores de rede para voz (referência): latência < 50 ms, jitter < 20 ms, perda < 1%.